(FÍSICAS E CORPORAIS)

Dr. W. Rafael Malezan – Fisioterapeuta

Dor é uma sensação desagradável, que coloca em risco a qualidade de vida das pessoas. Mesmo com uma lesão real, potencial ou já em estado resolutivo, muitos indivíduos podem perpetuar esse sofrimento desnecessariamente. As técnicas físicas e de reabilitação da dor pode servir para controle e com medidas corretas, resolver e melhorar essas alterações e assim desenvolver as funcionalidades e qualidade de vida dos indivíduos com dor.

A dor pode ser causada por uma série de fatores, sejam lesões agudas, doenças crônicas ou problemas genéticos. Para administrar a dor com técnicas físicas e corporais, precisamos entender a dor. Há momentos em que uma pessoa sente dor devido a alterações crônicas e por diversos mecanismos centrais (do sistema nervoso central) ou de alterações periféricas (nervos, músculos e etc.).

Então, compreender os processos fisiopatológicos da dor aguda e crônica, é essencial para a escolha e para organizar protocolos de tratamento em dor. Bem como devemos sempre analisar os possíveis diagnósticos funcionais em dor, como os prejuízos funcionais que a pessoa apresenta: não consegue mais andar, não consegue sentar, não consegue mais estender o braço e assim por adiante.

Nesse sentido, o principal objetivo é aplicar técnicas que resultam em analgesia (redução da dor) e desempenho funcional (retorno para as atividades da melhor maneira possível).

Para ter uma boa indicação de qual técnica utilizar é importante diagnosticar a dor e seus subtipos, sua origem e suas causas. Realizado essa compreensão da dor, pode se usar técnicas manipulativas axiais (na coluna, por exemplo) e apendiculares (nos braços e pernas, por exemplo). Pode-se empregar o uso de liberação miofascial (massagem aplicada para o controle da dor) e modalidades de mobilização e movimentos ativos (realizados pela própria pessoa, como caminhar) e passivos (realizados por um terapeuta, como alongamentos e movimentos rítmicos).

Nas escolhas de medidas de controle da dor, podemos encontrar algumas possibilidades:

Acupuntura: Uso na práticas da Medicina Tradicional Chinesa – o uso de agulhas em pontos corretos de aplicação, por um profissional habilitado, pode auxiliar na redução da dor. A acupuntura é um ramo da Medicina Tradicional Chinesa e, de acordo com a nova terminologia da OMS – Organização Mundial da Saúde, um método de tratamento complementar. Foi também declarado Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade pela United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) em 19 de novembro de 2010. O tratamento acupunterápico consiste no diagnóstico (igualmente baseado em ensinamentos clássicos da Medicina Tradicional Chinesa) e na aplicação de agulhas em pontos definidos do corpo, chamados de “Pontos de Acupuntura” ou “Acupontos” que se distribuem principalmente sobre linhas chamadas “meridianos chineses” e “canais”, para obter diferentes efeitos terapêuticos conforme o caso tratado. Também são utilizadas outras técnicas alternativa ou complementarmente, sendo as mais conhecidas a moxabustão (aplicação de calor sobre os acupontos ou meridianos), a auriculoterapia e, mais recentemente, a eletroacupuntura.

Moxabustão: Uso na práticas da Medicina Tradicional Chinesa – Uso de ervas aromáticas (geralmente a Artemísia) em combustão nos pontos de acupuntura. Apresenta um efeito analgésico e relaxante potencial.

Ventosaterapia: Uso na práticas da Medicina Tradicional Chinesa – Uso da pressão à vácuo gerado por ventosas de silicone, vidro ou plástico. É uma técnica de manobras de massagens com o uso das ventosas, com objetivo de aumentar o fluxo de sangue no local, massagear a fáscia muscular e os músculos. O resultado é o alívio da dor quase que imediato.

Agulhamento Seco: É um agulhamento (com agulhas de acupuntura ou insulina) superficial sobre os pontos gatilhos e dolorosos de tensão, resultando em diminuição acentuada da dor e ganho de movimento de forma imediata e progressiva em muitos casos. Não segue necessariamente a filosofia da medicina chinesa, porém pode ser um tratamento complementar. Uma das principais vantagens da técnica está na sua praticidade, eficácia e segurança. A técnica deve ser realizada com medidas sanitárias rigorosas.

Liberação Miofascial – ativa e passiva: A liberação miofascial é um método e técnica, que consiste na mobilização manual e com instrumentos específicos, profundamente no tecido conjuntivo, em especial nas fáscias musculares e viscerais, que formam uma rede de tecido fino e elástico, rico em colágeno, existente em camadas contínuas por todo nosso corpo. Esse método de tratamento faz com que os músculos se libertem de padrões habituais de dor aguda e crônica, melhorando desconfortos musculares, dores e alterações significativas de mobilidade.

Subcurarização/Manipulação sobre Anestesia: Realização da manipulação e mobilização de pacientes em ambiente controlado e monitorado do centro cirúrgico sobre o efeito de relaxante muscular ou até mesmo em procedimento com dose sub-anestésica COM ACOMPANHEMENTO MÉDICO. No Brasil essa técnica ficou consagrada como “Subcurarização”, pelo fato do uso de sub doses de pancurônio, um relaxante muscular não despolarizante, gerando uma sedação consciente, com finalidade de promover um relaxamento muscular tal à facilitar a intervenção fisioterapêutica da liberação miofascial. Esse procedimento manipulativo e de mobilização em centro cirúrgico não é algo novo, em alguns países como Estados Unidos e Inglaterra, adota-se o termo MUA (Manipulation Under Anesthesia) que tem sido relatado na literatura desde 1930.

Eletrotermofototerapia: Uso de recursos com correntes elétricas controladas e adequadas para a dor, como o TENS ou ainda outras modalidades de correntes (interferenciais, diadinâmicas e etc.), com o objetivo de reduzir a dor e realizar melhoria no tecido lesionado por alterações que provoquem a dor. A eletroterapia deve ser prazerosa e de ganhos imediatos e reais. Uma boa eletroterapia aplicada em pacientes com dor apresenta grande alívio.

Manipulações – Osteopáticas e Quiropráticas: Através de técnicas manuais e da manipulações, conhecidas popularmente pelos estalidos, e tem como objetivo reestabelecer a mobilidade perdida e dar equilíbrio ao sistema musculoesquelético, sacro-cranial e visceral, mantendo a elasticidade do tecido conjuntivo em todos os seus sistemas.

Tappings e Bandagens: Uso de bandagens elásticas, com finalidade de estimular o sistema nervoso a reeducar o movimento, ou ainda, estimular o sistema de analgesia corporal. Essas bandagens ainda podem facilitar ou inibir movimentos específicos.

Treino Funcional Neuromuscular (TFN): Na atualidade o treinamento funcional, mantém a sua essência como um método de treinamento físico, com a premissa básica de melhoria da aptidão física relacionada à saúde ou melhoria da aptidão física relacionada ao desempenho e prevenção de lesão músculo esquelético. Tem como característica realizar a convergência das habilidades biomotoras fundamentais do ser humano, para produção de movimentos mais eficientes. A vantagem deste método de treinamento é a de atender tanto o indivíduo mais condicionado como o menos condicionado, criando um ambiente dinâmico de treino.

Estabilização Proprioceptiva: O uso de técnicas e métodos de exercícios para melhora de postura e manutenção proprioceptiva leva a manutenção do equilíbrio postural, que é formado por um complexo mecanismo de controle, alimentado por um fluxo de impulsos neurológicos provenientes dos sistemas proprioceptivo, vestibular e óculo-motor cujas informações são processadas pelo sistema nervoso central e retornam pelas vias eferentes para manter o controle do equilíbrio corporal pela contração dos músculos antigravitacionários.

RPG – Reeducação Postural Global: É um método de correção da postura através de alongamentos globais que envolvem todas as cadeias musculares do corpo, e se utiliza também de exercícios ativos ministrados e aprendidos pelo paciente e ainda reforço na conscientização de percepção do alongamento e retração das cadeias musculares de forma global, constando de um método de educação e orientação das posturas.

Todas essas práticas devem ser bem escolhidas e pontuadas com o paciente que sente dor. A melhor prática vai ser boa para o melhor paciente que a deseja. Ou seja, não existe uma receita mágica. As terapias são sempre um conjunto de práticas, que devem ser somados em todos os cuidados para a pessoa com dor.

Consulte sempre um bom profissional dessas práticas, elas podem somar no tratamento da dor e melhorar consideravelmente a qualidade de vida.

 

 rafael
Rafael Malezan é fisioterapeuta, Especialista em Dor (Albert Einstein) e Práticas Integrativas/Acupuntura (ATTA), Mestre e Doutorando em Ciências da Saúde – Sírio Libanês, com atuação na área de dor e cuidados integrativos.

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